O nome do bairro Batel em Curitiba tem origem na palavra "batel", que significa uma pequena embarcação ou canoa. O nome surgiu a partir de um apelido popular que virou ponto de referência geográfica devido a um barco abandonado na região em meados do século XIX. [1, 2, 3, 4]
Abaixo, veja os detalhes históricos sobre a origem, as principais datas e os livros para aprofundar seu conhecimento.
A Origem do Nome: O Barco Encalhado
A versão histórica mais aceita e documentada é a do historiador paranaense Francisco Negrão: [1]
- O Personagem: Um alfaiate e comerciante curitibano chamado Torquato Paulino montou uma quitanda flutuante em formato de pequeno barco (um batel). [1, 2]
- O Motivo: Ele levou essa embarcação para vender comidas, bebidas e refrescos durante as tradicionais festas religiosas das "cheganças" do Divino Espírito Santo, na vizinha cidade de São José dos Pinhais. [1]
- O Incidente: Ao retornar a Curitiba pela antiga Estrada do Mato Grosso, o barco sofreu um acidente em um desnível da via e quebrou. Por ser pesado e difícil de transportar, Torquato abandonou a embarcação à beira da estrada. [1, 2]
- O Ponto de Referência: O barquinho de madeira ficou largado no local por muitos anos. Os viajantes, tropeiros e moradores passaram a usar a carcaça como referência, dizendo: "nos vemos lá no Batel" ou "perto do Batel". O apelido acabou batizando a estrada (atual Avenida do Batel) e, posteriormente, todo o bairro. [1, 2, 3, 4]
Nota: Existe uma teoria secundária e menos aceita de que o nome seria uma homenagem a uma antiga família proprietária de terras na região com o sobrenome francês Bathé. [1, 2]
Datas Importantes na História do Batel
- Século XVIII: A região serve puramente como rota de passagem e pouso para os tropeiros que viajavam em direção ao interior do estado ou a São Paulo. [1, 2]
- 1854: Ano em que ocorre o famoso episódio do alfaiate Torquato Paulino e o abandono do barco de madeira após a festa do Divino. [1, 2]
- Meados da década de 1850: O termo "Batel" aparece formalmente pela primeira vez registrado nas Atas das Sessões da Câmara Municipal, indicando a concessão de terrenos no "lugar denominado Batel". [1]
- Início do Século XX: O bairro se transforma em um polo industrial, abrigando engenhos de erva-mate, cervejarias e fábricas de sabão. Pouco depois, com a chegada das linhas de bonde, o Batel vira o endereço residencial favorito da aristocracia e dos "barões do mate". [1, 2]
- 1924: Início da construção do Castelo do Batel, inspirado nos castelos do Vale do Loire (França), encomendado pelo cafeicultor Luiz Guimarães, tornando-se o maior símbolo arquitetônico da região. [1, 2]
- 1947: O Castelo do Batel é tombado pelo Patrimônio Histórico do Paraná. [1]
Livros para Pesquisa e Leitura
Para quem deseja estudar a fundo a formação dos bairros de Curitiba e a história específica do Batel, as seguintes obras e autores são fundamentais:
- "Genealogia Paranaense" (Vols. I a VI) – Francisco Negrão: É a obra base onde o historiador relata formalmente o causo do alfaiate Torquato e do pequeno barco.
- "História das Ruas de Curitiba" – Valério Hoerner Júnior: Livro excelente que detalha como as antigas estradas de terra e passagens de tropeiros (como a Estrada do Mato Grosso) se transformaram nas avenidas do bairro.
- "Bairros de Curitiba: Batel" – Publicações do IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba): Cadernos informativos oficiais que reúnem mapas antigos, evolução demográfica e histórico do desenvolvimento urbanístico da região. []
Se quiser saber mais, posso detalhar como era a rotina dos barões da erva-mate na região ou a história por trás da construção do Castelo do Batel. Como prefere prosseguir? [1, 2, 3]
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